A Fragilidade da Mente Humana

  • “Mais jovens com crises de ansiedade.” – RTP.
  • “Mais de 25% dos estudantes apresentam sintomas de depressão.” – Sapo.
  • “O número de hospitalizações por anorexia nervosa duplicou em 15 anos.” – Diário de Notícias.
  • “Automutilação juvenil aumenta em Portugal” – TSF

E poderia continuar a lista de notícias como estas, notícias que deveríamos todos prestar mais atenção, notícias que deveriam incentivar a mudança e elevar a grandeza do problema, realidades que retratam o quão frágil é a mente humana.

Sendo assim, porque é que a saúde mental é tão negligenciada e tão descredibilizada? Porque é que não é levada a sério? Porque é que segundo as normas da sociedade ir a um psicólogo ou psiquiatra é para “maluquinhos” ou algo não essencial?

Porque é que é aceitável procurar ajuda quando estamos constipados mas não quando deixamos de ver esperança em viver? Porque é que ninguém questiona se tomares a tua medicação todos os dias para as alergias mas questionam se tomarem antidepressivos?

A sociedade está danificada. E com ela nascem mais danificados. Com ela negligenciamos tudo o que sentimos até ao fim. Carregamos fardos. Passamos os traumas de geração em geração. Pomos um sorriso no rosto e normalizamos qualquer tipo de doença mental como se estivesse tudo bem. Não está. E deveria estar tudo bem em não estar.
Está nas nossas mãos, nas mãos da nossa geração, mudar as nossas mentalidades. Igualar a saúde física à saúde mental. Saber que não basta sorrir ou afirmar “tem calma” que o problema fica resolvido. Saúde mental não é um problema matemático com uma solução exata, talvez o mais parecido seja a sua comparação com um problema filosófico, em que cada um tem uma possível solução, uma solução que é feita de passos cuidadosos, mas talvez sem um passo final com a sua resolução.

Mais importante ainda, para além do mundo caótico em que vivemos, somos nós próprios que achamos errado tudo o que a nossa mente nos faz. Que ignoramos cada sinal que ela nos dá que algo não está alinhado. Que respiramos fundo, chegámos ao fim do dia e pensamos “menos um dia”.

Vivemos num mundo à beira de um ataque de nervos e estamos a deixar-nos ir na corrente. E aceitamos o inaceitável. E somos quem não queremos ser. E fazemos x porque é o mais “adequado” em vez de y que é o que nos faz feliz. Conseguem perceber o quão errados estamos? O quanto estamos a colocar a nossa mente e vida numa caixinha sem saída? Nós deveríamos estar neste mundo para viver, mas a cada dia que passa, a cada norma “socialmente” aceitável, estamos a perder-nos. A perder a nossa essência. A esquecermo-nos de sentir.

A nossa mente é o que nos torna nós. O nosso cérebro é talvez a parte mais incrível do ser humano e o que o distingue de qualquer outro animal, todavia, é também o elemento mais frágil e está tudo bem. Vive. Sente. Imagina. Faz acontecer. Arrisca. A vida é efêmera, não deixes que ela te escape.

Ângela Freitas, ACEntos nos i’s

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