O Teste mais importante do Percurso Escolar

Artigo de opinião Nuno Reis – um dos oradores do nosso próximo evento Jovens Empreendedores

Ao longo do nosso percurso somos recorrentemente colocados à prova. Na idade da escolaridade, e do Ensino Superior, estas provas são geralmente muito comuns: chamamos-lhes testes, exames, frequências, projetos e nem sempre somos capazes de entender que há momentos de avaliação muito mais importantes para o nosso desenvolvimento humano, cidadão e profissional.

Todavia, enquanto jovens e estudantes, somos formatados à ideia de que a nota desses testes e a sua correspondência na média letiva são fatores absolutamente diferenciadores no acesso ao mundo profissional e, particularmente, ao conforto e felicidade que o sucesso financeiro e os patamares sociais (porque infelizmente ainda o existem), nos podem trazer.

Não escrevo isto para desmenti-lo: é claro que ser um bom aluno é importante para o nosso futuro. Escrevo, no entanto, para afirmar que há muito mais para além do sucesso académico, empresarial e financeiro e que uma boa parte disso está na assumpção das nossas responsabilidades comunitárias: porque o meu conforto acaba com o desconforto daqueles que estão ao meu lado. Porque, ainda que sejamos capazes de encontrar esconderijos para as dificuldades daqueles com menos oportunidades e piores destinos, excluindo óbvias questões éticas, morais e de consciência (que deveriam ser suficientes para recusar egocentrismos!), a sociedade em que nos inserimos, e, por isso, a nossa própria paz, conforto, riqueza (material e intelectual) e a nossa felicidade, são tanto menos frágeis e superficiais quanto maior forem as suas correspondências por toda a sociedade.

Este é o principal argumento que me ocorre para poder afirmar, com convicção, que uma das maiores provas de fogo do percurso cidadão e escolar é, precisamente, o associativismo e a participação comunitária. Um teste sem nota de zero a vinte, onde aprendemos mais sobre a humanidade que nos rodeia do que no conforto das nossas redes sociais, sofás ou café, ou quaisquer outros redomas que se desabam à nossa frente quando somos assolados pela frágil condição humana. Quando assumimos um projeto associativo, estamos a escolher rodear-nos de pessoas, tão mais diversas quanto maior for a qualidade da missão que pretendemos servir.

Tive o enorme privilégio de abraçar várias causas mas não tenho dúvidas que aquela que mais me enriqueceu humanamente foi a representação dos estudantes da Academia Minhota. Ao representar a Academia, servi pessoas com uma multiplicidade de condições socioeconómicas, culturais, ideológicas, físicas e psicológicas diferentes e, por isso, tornei-me uma pessoa muito mais completa e preparada para o mundo: o real e não aquele que nos vendem no feed do Instagram.

O associativismo é uma verdadeira escola de valores, onde testamos diariamente a compreensão, a comunicação, o discernimento, a resiliência, a técnica, a visão, a liderança, e, sobretudo, a compaixão pelos outros e a paixão por aquilo que nos move (conhecem outra cadeira que vos ensine isto tudo?). Num momento em que falamos tanto de vírus, testemo-nos, hoje, amanhã e ao longo da vida, porque não há pior vírus que o da desumanidade – e não se constrói imunidade sem o sentido de união, autodeterminação, democracia e altruísmo que o associativismo nos consegue dar.

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